um cigarro
Não te iludas. Talvez eu nunca consiga visitar a tua campa. Talvez eu nunca mais consiga dormir. Tudo o que quero agora não existe e os meus sonhos nunca vão acordar. Nunca mais. Prometo.
Bom dia, meu amor. Estás aqui e o mundo não acabou. Eu não me lembro desta conversa. Tu
não existes. Não consigo dormir. O luar entra pela janela e escalda-me a pele. Eu acredito tenuemente que estás aqui. De verdade. Amanhã vou voltar ao mundo e tratar de deixar-me afogar nas coisas.Caminho descalça pela areia. O vento penteia-me os cabelos. Sinto a tua falta. Resolvo mergulhar directamente e sinto frio. Tudo à minha volta está suspenso como eu. E não sinto nada. Só frio. É bom estar aqui, mas vou ter de fazer alguma coisa. De voltar ao mundo. Assim. Do nada. Se eu soubesse, não te tinha deixado ir. Tinha-te prendido à cama naquela manhã. Mas eu não sabia. Não teve nada a ver comigo. Como se eu tivesse culpa de alguma forma, sabes? Tu não existes.
Estou ensopada e caminho pela areia enquanto o vento me gela o corpo e me garante que estou viva. Porque me dói. Como se não houvesse mais nada. O mundo não acabou.
