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quinta-feira, junho 26, 2008

Isto faz mal à saúde. De certeza.

Never Gone

The things we did, the things we said
Keep coming back to me and make me smile again
You showed me how to face the truth
Everything that's good in me I owe to you

Though the distance that's between us
Now may seem to be too far
It will never seperate us
Deep inside I know you are

Never gone, never far
In my heart is where you are
Always close, everyday
Every step along the way
Even though for now we've gotta say goodbye
I know you will be forever in my life
Never gone

I walk alone these empty streets
There is not a second you're not here with me
The love you gave, the grace you've shown
Will always give me strength and be my cornerstone

Somehow you found a way
To see the best I have in me
As long as time goes on
I swear to you that you will be

Never gone, never far
In my heart is where you are
Always close
Everyday
Every step along the way
Even though for now we've gotta say goodbye
I know you will be forever in my life

Never gone from me
If there's one thing I believe
I will see you somewhere down the road again

Never gone, never far
In my heart is where you are
Always close
Everyday
Every step along the way
Even though for now we've gotta say goodbye
I know you will be forever in my life

Never gone, never far
In my heart is where you are
Always close, everyday
Every step along the way

Never gone, never far
In my heart is where you are

quinta-feira, outubro 04, 2007

Eugénio de Andrade

Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um

- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum

terça-feira, março 13, 2007

Uma das bases: a etologia moderna - instintos e imprinting

Os etologitas defendem que a melhor forma de compreender o comportamento animal é estudando-o no seu ambiente natural, apenas desta forma poderiamos compreender qual a função adaptativa de cada comportamento no que à espécie diz respeito. A primeira etapa do trabalho dos etologistas é, portanto, conhecer a espécie em estudo o melhor possível através da observação naturalista; interessam-se particularmente pelos instintos.

Um instinto é um caso especial de comportamento não aprendido que é activado por um estímulo externo, é, ainda, específico da espécie e resultante do processo evolutivo com objectivo de promover a sobrevivência. De resto, o comportamento instintivo contém sempre um padrão motor estereotipado, contudo, este comportamento inclui em si um componente de automodulação, ou seja, o comportamento instintivo não é tão determinista quanto parece e é adaptado à situação por mecanismos de correcção orientados para a persecussão e alcance de objectivos. Por exemplo, o comportamento do falcão quando avista a sua presa é um padrão fixo, ele faz um loop completo para a apanhar, ainda assim, adapta o seu voo aos movimentos da sua presa, visto que esta não é um alvo estático.
Por fim, os instintos são motivadores de comportamento. Consequentemente, um instinto não actuado fortalece-se, sendo que a quantidade de especificidade mínima que um estímulo deve apresentar para activar o instinto que lhe corresponde vai alterar-se e um estímulo menos específico que o habitual pode tornar-se suficiente para desencadear o comportamento instintivo.

Ao nascer, os animais sabem todos os padrões comportamentais instintivos, falta-lhes, contudo, alguma informação sobre os estímulos que os desencadeam - esta é percebida durante um período crítico no início de vida através de um processo a que se chama imprinting.

Konrad Lorenz (na foto) não foi o primeiro a observar a ocorrência de imprinting, foi, contudo, o primeiro a afirmar que este ocorre num período crítico do início da vida do animal. Lorenz estudou vários animais, em particular, gansos. Segundo o etologista, a vinculação da cria ao adulto (ou objecto de vinculação) ocorre se, e apenas se, esta for exposta e seguir o objecto de vinculação durante um período específico no início de vida. Este objecto de vinculação é inicialmente geral, qualquer objecto da mesma espécie do inicial desencadeia o comportamento, mas rapidamente a cria se foca num indivíduo particular preferencial. Portanto, se a exposição ocorrer antes ou depois deste período, a vinculação não ocorre e, uma vez ultrapassado este período, pode ser impossível levar a cria a vincular-se a outro objecto de vinculação.
Por outro lado, tal como os instintos, o tipo e o número de objectos passíveis de imprinting também é específico da espécie.
Por último, o imprinting pode determinar não apenas o comportamento de seguimento do objecto de vinculação pela cria, mas também afectar o seu comportamento social posterior, incluindo as preferências sexuais; ainda que o período crítico para o imprinting sexual possa ser diferente do imprinting parental, este também ocorre muito cedo, bem antes da emergência dos comportamentos sexuais.

Para outras informações, consultar:

sexta-feira, julho 07, 2006

Os comportamentos anti-sociais e a vinculação como factor interveniente

Os comportamentos anti-sociais entendem-se, actualmente, como um padrão estável de desrespeito pelos direitos do outro e de violação das normas sociais aceites pela comunidade em que o indivíduo actua, sendo que existem vários percursos e prognósticos associados a estes comportamentos.
De facto, entre os vários factores que se consideram poder estar na base destes comportamentos um dos mais comunemente citados diz respeito às relações familiares, nomeadamente às consequências da qualidade da relação primária de vinculação, isto é, à qualidade da primeira relação de vinculação estabelecida no primeiro ano de vida com alguém próximo (pode ser a mãe, o pai, uma avó, um irmão mais velho…).
Assim, segundo Bowlby (1980) e Ainsworth (1989), podem ser definidos os elementos básicos na compreensão do que é a vinculação:

->A vinculação primária diz respeito a comportamentos do bebé maioritariamente inatos cujo objectivo é promover a proximidade entre o bebé e outra pessoa, geralmente a mãe (por exemplo, sorrir quando a mãe o olha ou chorar quando sente que foi deixado sozinho no quarto).

->Os comportamentos que promovem a vinculação vão ficando mais sofisticados ao longo do desenvolvimento (por exemplo, um bebé de três meses chora se for deixado sozinho numa divisão enquanto está acordado, mas outro de 10 ou 11 meses já conseguirá seguir a mãe gatinhando).

->A capacidade de criar vinculação é universal a nível da espécie, mas o seu desenvolvimento pode assumir diferenças dependendo de factores culturais, sociais e relativos ao sexo e às diferentes condições de vida (por exemplo, as mães japonesas cuidam elas mesmas do seu bebé a maior parte do tempo enquanto que noutras comunidades a criança é desde cedo entregue aos cuidados de toda a família).

->É através da rotina que o bebé interioriza expectativas relacionais – modelos internos de funcionamento de relações (por exemplo, se o bebé obtiver repetidamente como resposta a uma vocalização, a atenção manifesta da pessoa a quem se dirigia, ele tenderá a utilizar a vocalização para iniciar a interacção com o outro – hatching).

->Um padrão de vinculação não é necessariamente imutável ou insubstituível (por exemplo, bebés com padrão de vinculação inseguro, quando adoptados por pais com padrões de vinculação segura poderão desenvolver posteriormente uma vinculação segura com os pais adoptivos).

->As perturbações dos padrões de vinculação podem manifestar-se em qualquer idade (por exemplo, uma criança com padrão de vinculação segura pode começar a manifestar padrões comportamentais de vinculação insegura face a acontecimentos importantes, como o abandono inexplicável da criança por parte da figura significativa).

->Um dos determinantes no tipo de vinculação que se estabelece é a experiência de SEGURANÇA emocional e física que é associada à relação.


Existe, na verdade, um método popular de avaliar em crianças pequenas (com cerca de 1 ano) qual o tipo de relação de vinculação que orienta os seus comportamentos. O método denomina-se Situação Estranha e foi desenvolvido por Ainsworth (1963, Estudo de Baltimore); este permite, no fundo, observar qual o comportamento da criança numa situação stressante (que activa a procura de segurança e conforto – o padrão de vinculação). Desta forma, a criança e a mãe são conduzidas a uma sala com brinquedos com os quais a criança pode brincar. Alguns minutos depois entra um estranho cuja função é brincar com a criança. A mãe sai enquanto o estranho brinca com a criança e regressa três minutos depois. Passado algum tempo volta a sair, sendo seguida pouco depois pelo estranho – a criança é deixada sozinha na sala. O desconhecido regressa. E minutos depois regressa a mãe. Todo o processo dura cerca de vinte minutos e é observada em particular a reacção da criança quando a mãe retorna.
Assim, de acordo com o estudo de Ainsworth, foram identificados três padrões comportamentais dominantes associados a três classificações qualitativas da vinculação:

1. Tipo A – cerca de 20% das crianças observadas ignorava ou evitava a mãe quando esta regressava à sala: vinculação insegura ou de evitamento;
2. Tipo B – cerca de 70% das crianças observadas reaproximava-se imediatamente da mãe, procurando conforto e interacção: vinculação segura;
3. Tipo C – cerca de 10% das crianças observadas ficava preocupada com ausência da mãe e reaproximava-se dela quando esta regressava, contudo, não se deixavam consolar alternando entre demonstrações de irritação, cólera e agitação ou ansiedade: vinculação insegura ambivalente;

Mais tarde, foi identificado um quarto padrão:

4. Tipo D – algumas crianças juntavam a comportamentos de evitamento e resistência, sinais de confusão, depressão ou apreensão, relacionados possivelmente com medo relativo à fonte de segurança ou alguma ameaça ocorrida anteriormente em que a protecção por parte da figura significativa falhou: vinculação desorganizada ou desorientada;

Contudo, salienta-se ainda que a análise de padrões de vinculação deve ainda levar em conta factores socioeconómicos e culturais, suportes sociais, patologias afectivas ou biológicas dos pais ou da criança, a idade e o temperamento da criança e a sensibilidade da mãe (geralmente que acompanha a criança nesta avaliação, mas que pode não ser a figura significativa de vinculação).
De facto, relativamente ao papel da mãe, a sua sensibilidade, isto é, a capacidade de responder de forma apropriada e em tempo útil aos sinais do bebé é uma condição importante, ainda que NÃO EXCLUSIVA, no desenvolvimento de uma vinculação segura; a sensibilidade materna surge ainda como o melhor preditor do tipo de vinculação que a criança manifestará quando se sentir ansiosa ou angustiada.


Na verdade, apesar de uma vinculação insegura não prever necessariamente comportamentos perturbados e da vinculação segura não garantir que estes não ocorram, o tipo de vinculação que se estabelece com a figura significativa é, de facto, o mais preditivo da posterior adaptação social da criança.
Desta forma, em termos gerais, podemos dizer que à medida que crescem as crianças com padrões de vinculação segura tendem a desenvolver comportamentos pró-sociais (maior resiliência e capacidade de evitar e gerir conflitos, por exemplo), enquanto que as crianças com padrões de vinculação insegura desenvolvem estratégias defensivas capazes de comprometer a sua adaptação social (tais como a agressão deslocada, isto é, dirigida aos colegas em vez de à mãe rejeitante, ou a oscilação entre o papel de agressor e vítima aliado a uma dependência forte a novas figuras de vinculação quando o comportamento de proximidade da mãe é imprevisível).

Em conclusão, salienta-se que vários estudos longitudinais sobre a vinculação apontam para a sua estabilidade ao longo do desenvolvimento, ao mesmo tempo que mostram também que a qualidade da vinculação não justifica por si só os comportamentos anti-sociais das crianças, adolescentes e adultos. Contudo, se nenhuma intervenção for implementada junto das famílias com padrões de vinculação de tipo A, C e particularmente de tipo D, estes podem actuar na adolescência e na idade adulta como factores de risco potenciadores de comportamentos anti-sociais manifestados de outra forma e em maior magnitude (por exemplo, a facilitação da aderência a grupos de ideologia radical na adolescência ou a repetição das experiências menos boas na educação dos filhos na idade adulta), ainda que sintomas reencenados dos mesmos problemas de estrutura.


baseado em: Machado, T.S. (2000) Vinculação e comportamentos anti-sociais.