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sexta-feira, julho 11, 2008

sexta-feira, junho 27, 2008

Tem cão ou não?

«É evidente que aqueles psicanalistas que se pretendiam os freudianos mais fiéis se limitaram durante muito tempo ao estudo e ao tratamento dos «neuróticos». Mas também será que, sob este vocábulo, eles descreviam ou tratavam por vezes algo bem diferente das estruturas autenticamente neuróticas? Contudo, parece mais aborrecido ainda pensar que a ortodoxia analítica só considerava como medida padrão sólida de «normalidade» o «capital-edipiano» ao qual o sujeito teria chegado. Manipular habilmente o Édipo tornava-se, para o sujeito e para o analista, o equivalente a uma boa operação da bolsa. Os valores sãos e seguros eram apenas edipianos.

Contudo, os possuidores do saber e do poder genital-edipiano não ignoravam as dificuldades das organizações mentais mais modestas; mas sentiam-se menos armados ou menos motivados para os remediarem, na medida em que os «normais» (isto é, os «recuperáveis») só estavam para eles entre os edipianos («de sangue», ou arrependidos).

As reacções perante tais abusos (e tal falta de prudência) não se fizeram esperar: um primeiro lote de contestatários contentou-se em aproveitar contributos socioculturais que facilitaram a imitação; foram os «chegados» a um pseudo-estatuto genital os que simplesmente se vestiram à moda edipiana, os anaclíticos do «como se»... Os aristocratas do Édipo nem sempre pressentiram a armadilha, o «casamento desigual». A falsa genitalização edipiana era muitas vezes vivida apenas como uma homenagem prestada à raça dos eleitos do Édipo. De ambos os lados a cumplicidade estabeleceu-se na base de uma ordem tranquilizante e essencial a manter: o primado do Édipo não era contestável como critério de «normalidade». Os depressivos já não representavam problemas sérios para G. Deleuze e F. Guattari (1972), nem para os freudianos «integristas». Os carneiros nunca inquietaram os pastores.

Mas tínhamos esquecido um segundo lote de «desviantes» em relação a esta nova burguesia edipiana da segunda geração freudiana: as estruturas psicóticas e as organizações perversas. Os segundos, que recusam fortemente o seu vínculo aos verdadeiros valores edipianos, e os primeiros, que são sinceros quando declaram não sentir a preeminência deste tipo de padrão afectivo triangular, e se encontram perfeitamente à altura para dispensar o seu aspecto relacional particular, que os «girondinos» do Édipo declaram obrigatório para aceder à «normalidade».»

Bergeret, J.

quarta-feira, março 26, 2008

Andar de comboio é fixe

«Fui ver o vulcão da Madeira. Só há um. Que eu saiba a Madeira só tem um vulcão.»

Não sei se só havia um e o arquipélago é de origem vulcânica, mas as erupções mais recentes terminaram há 6500 anos...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

quinta-feira, novembro 08, 2007

Da palavra.

Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Alexandre O'Neill


Que fizeste das palavras?
Que contas darás tu dessas vogais

de um azul tão apaziguado?


E das consoantes, que lhes dirás,
ardendo entre o fulgor
das laranjas e o sol dos cavalos?

Que lhes dirás, quando
te perguntarem pelas minúsculas
sementes que te confiaram?


Eugénio de Andrade
(Que fizeste das palavras?)



A palavra liberta.

Rui Paixão
(mas podia ter sido Freud ou qualquer poeta)

segunda-feira, novembro 05, 2007

Sobre a doença mental.

Fotografia: Joseph de Sousa

«(...) errado é pensar que uma classificação de perturbações mentais classifica as pessoas, quando na realidade o que está a ser classificado são as perturbações que as pessoas têm (...)» (DSM-IV, 1996)

quinta-feira, outubro 04, 2007

Divindade

Segunda-feira, Outubro 01, 2007

Thanatos


De todas as divindades gregas, Thanatos, a Morte, era a única que não gostava de receber presentes. Cientes disso, os humanos não lhe prestavam culto. As outras divindades, num tom meio chocado, meio divertido, diziam:

O Thanatos não existe.


// posted by JB aqui: Bandeira ao vento

quarta-feira, outubro 03, 2007

Alento via pacote de açúcar


Pois é. Numa tenda, que seja.

domingo, setembro 23, 2007

Encontrei não sei onde, mas não foi no livro que ainda não li:

«Escondemos a morte como se ela fosse vergonhosa e suja. Vemos nela apenas horror, absurdo, sofrimento inútil e penoso, escândalo insuportável, conquanto ela seja o momento culminante da nossa vida, o seu coroamento, o que lhe confere sentido e valor.»


«A vida ensinou-me três coisas:a primeira é que não impedirei nem a minha morte nem a dos meus próximos. A segunda é que o ser humano não se reduz àquilo que vemos, ou julgamos ver. É sempre infinitamente maior, mais profundo do que os nossos estreitos julgamentos podem exprimir. E, finalmente, ele nunca disse a última palavra, estando sempre a transformar-se, a realizar-se em potência, capaz de se modificar através das crises e das provações da sua existência.»


«(...)Porque na nossa sociedade não há lugar para os que choram a perda de um ser amado. Ninguém me ajudou a esvaziar a minha dor. Acham normal a depressão das pessoas enlutadas, e recomendam-lhes o médico para que lhes receite anti-depressivos. Tentam distrair-nos, fazer-nos mudar de ideias. Em resumo, querem dizer-nos que têm medo do nosso desgosto(...)»


«Entrar no sonho de outrem é pisar um chão sagrado, penetrar na intimidade do outro. O inconsciente não é apenas o reservatório dos recalcados, ele contém simultaneamente todos os nossos possíveis. É um viveiro de imagens e símbolos susceptíveis de ajudar o nosso desenvolvimento».


Hennezel, M. Diálogo com a Morte

domingo, julho 15, 2007

5 anos.


- Mãããããeee, vem lá a comboio! - inclinando-se ligeiramente sobre a linha amarela sem a pisar para espreitar o fundo da linha.
- Não é a comboio filho, é o comboio. - explica a mãe.
- Mas é cor-de-rosa!!

quarta-feira, julho 11, 2007

A desabafar.

Estes slides são uma treta, esteticamente falando. Demoram milénios a carregar, o que por sua vez os torna irritantes. Não é fácil estudar assim!

Note to self: não utilizar no futuro. Isto é, quando finalmente aprender a criar - maravilha de verbo - em power point (ou powerpoint?)...



Disclaimer: as críticas feitas neste post não incidem sobre o conteúdo dos slides.

terça-feira, julho 10, 2007

A última viagem... ahm... paragem...




...na portagem da Dona Alice deste ano foi hoje. E não havia ninguém à minha frente a pagar em moedas de um cêntimo.

domingo, julho 08, 2007

Sweet lovin'

imagem: Lucinda

Algures na baixa, um gajo levanta a t-shirt e dá uma palmada nos abdominais bem delineados, posto isto, a mão dele segue para trás do pescoço da namorada e, enquanto ela se ri, ele puxa-a e dá-lhe um beijo.

sexta-feira, junho 22, 2007

Congitivo-comportamentalmente...

«(...) therapy with any one patient can be seen as a single case experiment.» - algures num texto querido.



'Nuff said.


quinta-feira, setembro 07, 2006

Vocabulário de Estágio

«Deixe-me só acabar de terminar aqui a minha chamada, dótôra...»

«ambos os dois»

«ambos os três»

«'tou cheia de inquietações»

«Ó Dótôra, eu venho cá pa ver se a dótôra pede assim pra porem o meu sobrinho numa prisão melhorzinha, sabe... é que senão ele vai ser muito mal tratado, sabe... é que ele é homem sexual e tóxico independente, sabe...»

Estas, entre outras preciosidades...

segunda-feira, setembro 04, 2006

Aula de Direito (apontamentos)

«(...) éstos son los caracteres de toda "ciencia" jurídica según mis apuntes:
1. Intersubjetividad.
Y pone literalmente esta sandez incomprensible: "el vocablo intersubjetividad alude a la dimensión pluridimensional que manifiestan las relaciones contempladas por el Derecho". (...)»

- Kinderzimmer sobre o Direito Canónico.