segunda-feira, julho 09, 2007

Assim, ao certo...

... o que é que queres dizer exactamente com se já acabei de estudar?


O que raio é "acabar de estudar"?!

Na íntegra.

Impressões

Ele poderia ter olhos azuis. Tudo na sua cara indiciaria que os olhos eram azuis. De um azul profundo, escuro, brilhante e intenso. Mas à medida que os olhares se cruzaram foi-se apercebendo que afinal eram castanhos, escuros e igualmente intensos, com uma expressão profunda e irradiando brilho. Afinal não se enganara completamente. Os atributos que reconhecera naquela cara estavam lá contidos, o único aspecto que não correspondia era a cor. Aquele jovem homem moreno emanava magnetismo e parecia ali colocado de propósito para a gravação de uma cena de um qualquer filme passado numa capital dos trópicos. E movia-se consciente de que a sua simples presença a transportava para outros mundos e outras paragens...


texto:Brigida Rocha Brito
imagem: Final Fantasy X

domingo, julho 08, 2007

Crueldade...

... é estar a estudar num belo dia de sol, ouvir alguém lá fora:


«- Olá, vou tomar um café, querem vir?» - voz número 1.
«- Ó pá, hoje não dá. Vou à praia agora» - voz número 2.
«- Vá lá, despacha-te senão aproveitamos pouco a tarde na praia.» - voz número 3.

(...)
[continuação breve e irrelevante]


...e ter de continuar a estudar.

Sweet lovin'

imagem: Lucinda

Algures na baixa, um gajo levanta a t-shirt e dá uma palmada nos abdominais bem delineados, posto isto, a mão dele segue para trás do pescoço da namorada e, enquanto ela se ri, ele puxa-a e dá-lhe um beijo.

Hoje...

...que acordei cedo, não há missa. Ah, pois é...

sábado, julho 07, 2007

O primeiro texto

Nunca vou esquecer o olhar da rapariga que espera o tratamento de radioterapia. Sentada numa das cadeiras de plástico, o homem que a acompanha (o pai?) coloca-lhe uma almofada na nuca para ela encostar a cabeça à parede e assim fica, magra, imóvel, calada, com os olhos a gritarem o que ninguém ouve. O homem tira o lenço do bolso, passa-lho devagarinho na cara e os seus olhos gritam também: na sala onde tanta gente aguarda lá fora, algumas vindas de longe, de terras do Alentejo quase na fronteira, desembarcam pessoas de maca, um senhor idoso de fato completo, botão do colarinho abotoado, sem gravata, a mesma nódoa sempre na manga (a nódoa grita) caminhando devagarinho para o balcão numa dignidade de príncipe. É pobre, vê-se que é pobre, não existe um único osso que não lhe fure a pele, entende-se o sofrimento nos traços impassíveis e não grita com os olhos porque não tem olhos já, tem no lugar deles a mesma pele esverdeada que os ossos furam, a mão esquelética consegue puxar da algibeira o cartãozinho onde lhe marcam as sessões. Mulheres com lenços a cobrirem a ausência de cabelo, outras de perucas patéticas que não ligam com as feições nem aderem ao crânio, lhes flutuam em torno. E a imensa solidão de todos eles. À entrada do corredor, no espaço entre duas portas, uma africana de óculos chora sem ruído, metendo os polegares por baixo das lentes a secar as pálpebras. Chora sem ruído e sem um músculo que estremeça sequer, apagando-se a si mesma com o verniz estalado das unhas. Um sujeito de pé com um saco de plástico. Um outro a arrastar uma das pernas. A chuva incessante contra as janelas enormes. Plantas em vasos. Revistas que as pessoas não lêem. E eu, cheio de vergonha de ser eu, a pensar faltam-me duas sessões, eles morrem e eu fico vivo, graças a Deus sofri de uma coisa sem importância, estou aqui para um tratamento preventivo, dizem-me que me curei, fico vivo, daqui a pouco tudo isto não passou de um pesadelo, uma irrealidade, fico vivo, dentro de mim estas pessoas a doerem-me tanto, fico vivo como, a rapariga de cabeça encostada à parede não vê ninguém, os outros (nós) somos transparentes para ela, toda no interior do seu tormento, o homem poisa-lhe os dedos e ela não sente os dedos, fico vivo de que maneira, como, mudei tanto nestes últimos meses, os meus companheiros dão-me vontade de ajoelhar, não os mereço da mesma forma que eles não merecem isto, que estúpido perguntar
- Porquê ?
que estúpido indignar-me, zango-me com Deus, comigo, com a vida que tive, como pude ser tão desatento, tão arrogante, tão parvo, como pude queixar-me, gostava de ter os joelhos enormes de modo que coubessem no meu colo em vez das cadeiras de plástico
(não são de plástico, outra coisa qualquer, mais confortável, que não tenho tempo agora de pensar no que é)
isto que escrevo sai de mim como um vómito, tão depressa que a esferográfica não acompanha, perco imensas palavras, frases inteiras, emoções que me fogem, isto que escrevo não chega aos calcanhares do senhor idoso de fato completo
(aos quadradinhos, já gasto, já bom para deitar fora)
botão de colarinho abotoado, sem gravata e no entanto a gravata está lá, a gravata está lá, o que interessa a nódoa da manga
(a nódoa grita)
o que interessa que caminhe devagar para o balcão mal podendo consigo, doem-me os dedos da força que faço para escrever, não existe um único osso que não lhe fure a pele, entende-se o sofrimento nos traços impassíveis e não grita com os olhos porque não tem olhos já, tem no lugar deles a mesma pele esverdeada que os ossos furam e me observa por instantes, diga
- António
senhor, por favor diga
- António
chamo-me António, não tem importância nenhuma mas chamo-me António e não posso fazer nada por si, não posso fazer nada por ninguém, chamo-me António e não lhe chego aos calcanhares, sou mais pobre que você, falta-me a sua força e coragem, pegue-me antes você ao colo e garanta-me que não morre, não pode morrer, no caso de você morrer eu
no caso de você e da rapariga da almofada morrerem vou ter vergonha de estar vivo.


António Lobo Antunes (Visão 7/06/07)

Extraordinariedade 101 (one 0 one)

«Tu 'tivestes a ouvir qualquer coisa nos tímpanos!» - homem fora duma carrinha para homem que se estava a rir sozinho dentro da dita carrinha...


...isso e gajos feitos a jogar futebol com bola de voleibol no alcatrão da Rua Padre António Vieira de Coimbra - é assim que eu sei que ou é feriado ou é fim de semana...

Alone with my thoughts




















Quando se fazem as coisas a ver se dá, nunca dão.

When there's no one else...

... look inside yourself.

imagem: Gabi

And if you ever find you inner child, don't cry.
Just tell her that everything is going to be alright.

terça-feira, julho 03, 2007

Então... alguém?













Precisava duma luz...