quarta-feira, dezembro 05, 2007

Da dúvida.

Levantar às seis e trinta. Cerca de duzentos quilómetros por dia. Um telemóvel com menos de um ano e com mais de cento e cinquenta horas de conversação. Ter dentro da cabeça uma empresa com dois mil clientes, saber manter um contacto profissional que, a despeito de estarmos no melhor ou no pior dos nossos dias, tem de ser cordial, sóbrio e atenciososo. Gerir a relação de setenta empregados. Sair com os miolos feitos em água e dirigir-me para a universidade. Deu-me a pancada da tese. Entrar em casa às onze e meia da noite. Tentar gerir a casa e os afectos. Antes de ir para cama, escrevo este texto a pergunto-me se tudo isto vale a pena, se não estou a esquecer-me das coisas mais importantes da vida, se vale a pena escrever este texto, se faz sentido um caos deste tipo, para ficar sem tempo para grande parte das minhas devoções e das minhas paixões, se vale a pena esta dor de cabeça que tenho, se vale a pena ter estudado para ter como recompensa um telefone com doze chamadas por responder, se vale a pena. Suponho que a vossa vida seja parecida com isto, mas nunca vos perguntais se vale a pena. Tenho que ir dormir. E tenho que mudar de página.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Vejo dois problemas com a questão do espaço.

O desperdício que parece ser a existência de certas pessoas
e a pouca ocupação dele por outras;

Ophelia Mourne


Qualquer semelhança entre isto e desapego à raça humana em geral, é pura coincidência.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Um dia...

...esta merda acaba e eu vou poder dormir ou ler um livro.
Eventualmente, eu vou ter férias.
Certo?

terça-feira, novembro 13, 2007

Eu estou a ouvir gaivotas...

... na alta de Coimbra.


Espero não estar a desenvolver esquizofrenia.
E a foto não é minha. Depois digo de quem é.

It's not like...


... I wanted to go to sleep like this.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Da palavra.

Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Alexandre O'Neill


Que fizeste das palavras?
Que contas darás tu dessas vogais

de um azul tão apaziguado?


E das consoantes, que lhes dirás,
ardendo entre o fulgor
das laranjas e o sol dos cavalos?

Que lhes dirás, quando
te perguntarem pelas minúsculas
sementes que te confiaram?


Eugénio de Andrade
(Que fizeste das palavras?)



A palavra liberta.

Rui Paixão
(mas podia ter sido Freud ou qualquer poeta)

terça-feira, novembro 06, 2007

Está certissíma, minha senhora.

«“O João é uma criança viva e brincalhona, mas não é bem entendido. Devia haver alguém que o ensinasse a lidar com os sentimentos”, refere Virgínia, que trabalha como costureira e tem quatro filhos.» CM


Pois claro! Eu concordo plenamente com o que ela diz.
E até sei quem podia ensiná-lo a fazer isso...

segunda-feira, novembro 05, 2007

Sobre a doença mental.

Fotografia: Joseph de Sousa

«(...) errado é pensar que uma classificação de perturbações mentais classifica as pessoas, quando na realidade o que está a ser classificado são as perturbações que as pessoas têm (...)» (DSM-IV, 1996)

quarta-feira, outubro 31, 2007

Do "Mozart and the Whale" (2005)


«Sweetie, you can never disappoint me.
'Cause whatever you are...
... is exactly what I want...» - Mozart.


terça-feira, outubro 23, 2007

Por aqui, caminha-se.

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.

Antonio Machado