terça-feira, março 13, 2007

A quem se sentir enganado, eu prometo...

...um destes dias (antes do fim do ano civil) escrevo especificamente sobre a Teoria da Vinculação e sobre a Situação Estranha.

quinta-feira, março 01, 2007

Do exame oral de Educação tenho isto a dizer:

Tourada

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
touramos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o Mundo
pelos cornos da desgraça
e fazemos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro aos milhões.

E diz o inteligente
que acabaram as canções.


Música de Fernando Tordo, interpretada pela
Estudantina de Lisboa

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Elas acharam que era necessário...

Reparem no piercing da minha vaquita (ela aparentemente é uma inconformada):Aquelas flores são Margaridas e, sim, aquilo são velas com cheiro a CHOCOLATE!!

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Bolo... ahem... de aniversário.

A bem dizer, eu acho que isto começou a correr mal assim que eu decidi fazer o tal jantar com o devido bolo. O jantar, maravilha, ficou óptimo! O bolo... bem a mistura dos ingredientes em si, correu bem - não vamos lembrar o chocolate que ardeu no microondas, Mecas... a ideia era derretê-lo. Foi o forno que arruinou tudo, não eu (é confortável isto, ihihihihihihih)... Enfim, depois de retirar a parte queimada dum bolo de chocolate que não cresceu, restou esta coisa deprimida:
Que foi coberta de doce de morango e tapada por uma espécie de "bolo-panqueca":
Que, por sua vez, foi coberto por chocolate derretido em natas: Nem sombra do objectivo inicial, mas comestível e surpreendentemente divertido de fazer (e de comer, hã meninas? Bolo desmontável e tal...). ;P

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Uma pessoa recebe uma carta...

Fotografia: José Luís Mendes

... e fica uns bons dez minutos a olhar para o envelope feita estúpida. Sem o abrir. À espera.
Mas à espera de quê?

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Um livro a sério.

«Quando saiu para a praça, Felisa García avançou uns passos para procurar a sombra da figueira, e ali ficou a esfregar as mãos com o olhar perdido no mar. Não tinha a certeza se estava bem o que tinha acabado de fazer, mas tinha a impressão de que o mundo estava cada vez mais desordenado e que era preciso evitar isso. Se de alguma coisa Felisa García tinha a certeza era de que os países deviam manter-se onde estavam, com as suas fronteiras tão bem desenhadas nos mapas que até dava gosto vê-los, cada um com a sua cor diferente, e que os vizinhos deviam cumprimentar-se com respeito em vez de andar a matar-se uns aos outros, e que os filhos deviam arranjar uma mulher ou voltar para casa dos pais e não andarem a mendigar na capital. Tudo devia estar no seu lugar, porque era a única forma de cada um saber onde sentar o traseiro. Assim, simples.»

Zarraluki, P. Começar de novo

Fotografia: Rui Cid

domingo, fevereiro 18, 2007

Why have Ferrari shoes?


It's not like they are going to make you run any faster...

I went home to this:

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

domingo, fevereiro 04, 2007

Porque sim






«Quando eu cheguei à perigosa idade dos 40, quase todas as minhas amigas, mães, como eu, de adolescentes, ostentavam orgulhosamente barrigas de grávida. Eu olhava para elas e babava-me de inveja. E, naquela atitude meio infantil de "se elas têm, eu também quero", engravidei por três vezes. E, por razões que o médico nunca conseguiu perceber, por três vezes abortei, bem para lá dos dois meses de gestação.

Só eu sei o que isso me custou - tanto em termos físicos como psicológicos. Internamentos, raspagens, pouca paciência do pessoal hospitalar ("quê? era o terceiro filho? Para que é que quer tanto filho?"), foram experiências que me marcaram para sempre. Posso (ou se calhar nem posso…) imaginar o que passa uma mulher obrigada mesmo a abortar. Porque nenhuma mulher aborta simplesmente porque sim, nem de ânimo leve, nem - oh céus! - utiliza o aborto como habitual método contraceptivo. Se, juntando a tudo isso, ainda há uma lei que as manda para a cadeia - em que mundo-cão é que nós vivemos! E não me venham agora com aquele incompreensível argumento, para apaziguar almas sensíveis, de que ninguém quer isso. É exactamente isso que os partidários do "não" neste referendo querem. Deixemo-nos de hipocrisias o que está em discussão não é saber se se é pela vida ou contra (mas alguém será contra a vida?!); o que está em discussão é saber se se pode continuar a admitir que as mulheres com dinheiro abortem legalmente, nas melhores condições e sem problemas; e as outras continuem a arriscar a saúde, a vida e a liberdade. Sempre achei estranho que decisões como esta, do foro mais íntimo de cada mulher, acabem por ficar nas mãos dos homens e dos padres (com todo o respeito por ambas as classes.) Até porque, na altura em que teria sido bom que os homens aparecessem para partilhar dores e responsabilidades, eles desaparecem do filme...

Não me interessa a contabilidade não sei se são muitas ou poucas as mulheres efectivamente condenadas. Mas sei que há uma lei que pode levar a isso. E se as leis não são para cumprir, então para que servem? A lei tem de ser mudada - e depois cumprida. É por tudo isto que dia 11 voto sim.»

Alice Vieira, escritora
(publicado no JN a 4 de fevereiro de 2007)